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	<title>Mauricio Garcia</title>
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	<description>Artigos para aqueles que gostam de história e de educação</description>
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		<title>A verdade está em toda parte</title>
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		<pubDate>Mon, 26 Mar 2012 11:44:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mauricio</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Era uma vez um sábio que nasceu no ano de 780, em uma distante cidade do atual Uzbequistão chamada Khawarizm, hoje denominada Khiva ou Xiva. Viveu 70 anos, morrendo em 850 na cidade de Bagdá. Ao longo de sua vida, &#8230; <a href="http://mgar.com.br/blog/?p=71">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Era uma vez um sábio que nasceu no ano de 780, em uma distante cidade do atual Uzbequistão chamada Khawarizm, hoje denominada Khiva ou Xiva. Viveu 70 anos, morrendo em 850 na cidade de Bagdá. Ao longo de sua vida, o sábio se dedicou ao estudo da matemática e aprimorou o modelo numérico criado pelos indianos, inclusive com a notação decimal. Desenvolveu um método para resolver equações quadráticas, que ele denominou de al-Jabr. Por sua origem, o sábio era chamado de al-Khawarizm. Naquela época, Século IX, o mundo islâmico vivia momentos de glória e os califas estimulavam o desenvolvimento das ciências. Tornou-se praxe traduzir para o árabe os clássicos gregos, hindus e persas. No Marrocos, em 859, era fundada a <a target=_blank href=http://en.wikipedia.org/wiki/University_of_Al-Karaouine>Universidade de Karueein</a>, que existe até hoje e é considerada a universidade em funcionamento mais antiga do mundo.</p>
<p>Em outra parte do mundo, o Ocidente vivia momentos de trevas. Dominada pelo fundamentalismo cristão, a Europa renegava seu passado clássico e mergulhava em dogmas e superstições. Humberto Eco, em “O Nome da Rosa” (que se tornou popular com o <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Der_Name_der_Rose" target="_blank">filme</a> estrelado por Sean Connery), ilustra bem o espírito medieval: não se permitia, por exemplo, a leitura de Aristóteles e Platão. Os poucos exemplares desses autores jaziam sepultados nas herméticas bibliotecas da Igreja. Outra história emblemática é a contada por Noah Gordon, no livro &#8220;<a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/The_Physician" target="_blank">The Physician</a>&#8220;, em que relata as aventuras de um jovem europeu que quer estudar medicina e viaja à Pérsia para aprender com <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Avicena" target="_blank">Avicenna</a>.</p>
<p>Quando se iniciaram as Cruzadas, no Século XI, um fenômeno interessante aconteceu. Durante os 200 anos das várias Cruzadas, não foram apenas batalhas que ocorreram entre cristãos e muçulmanos. Houve intenso intercâmbio cultural. De repente, europeus vivendo em condições quase neolíticas se depararam com um mundo culturalmente muito mais avançado. Foi através das bibliotecas árabes que os europeus voltaram a ler os grandes filósofos clássicos (os livros foram traduzidos para o latim a partir do árabe, não do grego). Foi através dos árabes que os europeus conheceram uma matemática muito mais avançada. Descobriram os cálculos de al-Khawarizm, de cujo nome derivaram as palavras “algarismo”, “algoritmo” e “logaritmo”. De seu método al-Jabr surgiu a “álgebra”. Chamamos de &#8220;arábicos&#8221; os algarismos que usamos cotidianamente por causa dessa origem, os quais são muito mais apropriados para cálculos que os algarismos romanos. Basta imaginar a diferença para calcular 1000 &#8211; 489, ao invés de M &#8211; CDLXXXIX. Notar inclusive que nos algarismos romanos a quantidade de dígitos não é proporcional ao valor expresso, algo difícil de entender. Além disso, os algarismos romanos não possuem o zero, ou seja, é um conceito que não existia na cultura europeia daquela época.</p>
<p>A influência dos árabes não foi pequena. Não é por coincidência que exatamente durante o período das Cruzadas (a primeira foi em 1096, a nona em 1271) surgiram as universidades europeias: Bolonha (1088), Paris (1090), Oxford (1096), Modena (1175), Cambridge (1209), Salamanca (1218), Montpellier (1220), Pádua (1222), Nápoles (1224), Toulouse (1229), Siena (1240), Valladolid (1241), Múrcia (1272) e Coimbra (1290).</p>
<p>Esses fatos nos ajudam a desfazer a imagem de que a sabedoria se originou apenas na Europa e que não havia vida inteligente em outras partes do mundo. Ajudam a nos lembrar de que faz parte do espírito de todo professor questionar aquilo que aprende e, especialmente, aquilo que ensina.</p>
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		<title>O Imperador Erudito</title>
		<link>http://mgar.com.br/blog/?p=48</link>
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		<pubDate>Fri, 09 Mar 2012 01:14:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mauricio</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Pode parecer estranho, mas a história do Brasil possui uma curiosa relação com o Império Romano. Bem, sabemos todos que o Império Romano começou com o Imperador Otávio Augusto, após a morte de Júlio César, no ano de 27 aC. &#8230; <a href="http://mgar.com.br/blog/?p=48">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Pode parecer estranho, mas a história do Brasil possui uma curiosa relação com o Império Romano. Bem, sabemos todos que o Império Romano começou com o Imperador Otávio Augusto, após a morte de Júlio César, no ano de 27 aC. Seguiu como um império único até o ano de 395 dC, quando, com a morte de Teodósio, se dividiu em dois: o do Oriente e o do Ocidente. O Império Romano do Oriente, com capital em Constantinopla, se manteve até o ano de 1453 dC, quando os turcos otomanos tomaram a cidade. Já o do Ocidente terminou bem antes disso, em 476 dC, quando foi invadido pelo bárbaro Odoacro.</p>
<p>Acontece, porém, que os bárbaros que invadiram o Império Romano do Ocidente já tinha se &#8220;romanizado&#8221;. Muitos eram cristãos e a cultura e os valores romanos haviam permanecido na Europa. O latim, por exemplo, permanecia como o idioma dos eruditos. Ocorreram, assim, diversas tentativas para restaurar esse império, como aconteceu com Justiniano, por volta do ano 540 dC., cujo projeto só não se concretizou por causa do avanço dos árabes, embalados pela expansão do Islamismo, recentemente criado por Maomé em 610 dC.</p>
<p>Ao redor do ano 800 dC, um novo império foi criado por Carlos Magno, inicialmente chamado de Império Carolíngeo, e que se transformou posteriormente no Sacro Império Romano Germânico. A velha Roma, assim, estava restaurada, cobrindo uma área que corresponde à Alemanha, Bélgica, Holanda, República Tcheca, Áustria, Suíça, Eslovênia e partes da França, Itália e Polônia (paradoxalmente, não incluía a cidade de Roma).</p>
<p style="text-align: center;"> <a href="http://mgar.com.br/blog/wp-content/uploads/2012/03/Sacro-Imperio-Romano.png"><img class="aligncenter size-full wp-image-54" title="Sacro Imperio Romano" src="http://mgar.com.br/blog/wp-content/uploads/2012/03/Sacro-Imperio-Romano.png" alt="" width="576" height="400" /></a></p>
<p align="center">Extensão do Sacro Império Romano Germânico</p>
<p>O Sacro Império Romano Germânico durou mil anos (só para comparar, o Império Romano do Ocidente durou metade disso) e sucumbiu durante as Guerras Napoleônicas em 1806.</p>
<p>O último imperador do Sacro Império foi Franz von Habsburg-Lothringen (1768-1835), cujo nome foi aportuguesado para &#8220;Francisco II&#8221;. Com o fim do Império, seu território foi dividido e Francisco ficou com uma parte oriental, dando origem ao Império Áustro-Húngaro, que durou até a Primeira Guerra Mundial (1914-1918). Com isso &#8220;Francisco II&#8221; do Sacro Império Romano se tornou &#8220;Francisco I&#8221; da Áustria.</p>
<p align="center"> <a href="http://mgar.com.br/blog/wp-content/uploads/2012/03/Francisco-I.png"><img class="aligncenter size-full wp-image-50" title="Francisco I" src="http://mgar.com.br/blog/wp-content/uploads/2012/03/Francisco-I.png" alt="" width="186" height="246" /></a></p>
<p align="center">Francisco I da Áustria (1768-1835)</p>
<p>Francisco I se casou 4 vezes. Com a segunda esposa (sua prima) teve 7 filhos. Uma delas se chamava Caroline Josepha Leopoldine Franziska Ferdinanda von Habsburg-Lothringen. As monarquias europeias sempre tiveram o hábito de promover casamentos entre si, de forma a estreitar os laços entre os diferentes países. Tratava-se, assim, de um processo diplomático antes de tudo. Nesse sentido, Francisco I entregou sua filha à Corte Portuguesa, para que Dom João VI casasse seu filho, Pedro de Alcântara. O gajo precisava tomar juízo, dizia o pai.</p>
<p>Àquela altura, a Corte Portuguesa estava no Brasil, pois havia fugido de Napoleão em 1807. Dessa forma, no ano de 1818, uma grande festa ocorreu no Rio de Janeiro, em comemoração ao casamento de Pedro de Alcântara com a princesa austríaca, cujo nome foi aportuguesado para &#8220;Maria Leopoldina de Habsburgo&#8221;. Assim, o príncipe português se casava com uma legítima princesa do &#8220;Império Romano&#8221;.</p>
<p><a href="http://mgar.com.br/blog/wp-content/uploads/2012/03/casamento.png"><img class="aligncenter size-full wp-image-49" title="casamento" src="http://mgar.com.br/blog/wp-content/uploads/2012/03/casamento.png" alt="" width="574" height="351" /></a></p>
<p>Dizem que as festas em comemoração a esse casamento foram tão eufóricas, que teriam dado origem ao Carnaval do Rio.</p>
<p>Três anos depois, em 1821, a Corte Portuguesa voltou para Portugal, mas Pedro de Alcântara e Maria Leopoldina ficaram no Brasil. Dom João VI, ao partir, sabendo que o Brasil iria querer ter seu próprio imperador, teria dito ao filho: &#8220;Que sejas tu, que há de me respeitar, antes que um aventureiro lance mão&#8221;.</p>
<p>As Cortes Portuguesas, porém, não aceitaram a permanência de Pedro de Alcântara no Brasil e exigiram sua volta para Portugal. Em resposta, no início de 1822, Pedro disse: &#8220;Eu fico!&#8221; (tornou-se o &#8220;Dia do Fico&#8221; em 09/01/1822). A pressão foi crescendo, até que finalmente em 7 de setembro de 1822 o Brasil se tornou independente. Pedro de Alcântara se tornou &#8220;Dom Pedro I&#8221; e Maria Leopoldina de Habsburgo passou a ser a &#8220;Imperatriz Leopoldina&#8221; (anos depois virou até uma escola de samba). Conta-se que Maria Leopoldina teria sugerido que a bandeira do novo Império tivesse as cores da &#8220;Casa de Habsburgo&#8221; (amarelo) e as cores da &#8220;Casa de Bragança&#8221; (verde), simbolizando a união dessas duas casas.</p>
<p>Tiveram 7 filhos. O caçula nasceu em 1825 e foi chamado também de Pedro, em homenagem ao pai. Mal sabia, porém, que o destino lhe reservaria momentos muito difíceis. No ano seguinte, com apenas 1 ano de idade, o menino Pedro perdeu sua mãe. Maria Leopoldina faleceu em 1826, no Rio de Janeiro, com somente 29 anos de idade. Além disso, nesse mesmo ano, morreu também o avô do menino Pedro, Dom João VI, em Portugal.</p>
<p>Com a morte de Dom João VI, travou-se em Portugal uma guerra pela sucessão do trono português, pois sua controversa esposa Carlota Joaquina queria emplacar o filho Miguel como rei, com o que Dom Pedro I, mesmo estando no Brasil, não concordava. O fato é que, com a disputa, Dom Pedro I sentiu-se forçado a voltar para Portugal para a luta sucessória. Assim, em 1831, renunciou ao trono brasileiro. O menino Pedro, com apenas 5 anos de idade, foi abandonado pelo pai. Dom Pedro I voltou para Portugal, venceu a guerra e se tornou &#8220;Dom Pedro IV&#8221;, Rei de Portugal. Mas, tuberculoso, morreu em 1834, aos 36 anos de idade. O menino Pedro ficou órfão novamente, agora de pai, aos 9 anos de idade.</p>
<p>Então, Pedro foi um menino que nunca conheceu um lar com pai e mãe e que, aos 5 anos de idade, recebeu em seu colo a responsabilidade de um Império a governar. Sua maioridade foi antecipada e, aos 15 anos de idade, foi coroado como &#8220;Dom Pedro II&#8221;, Imperador do Brasil em 1841.</p>
<p><a href="http://mgar.com.br/blog/wp-content/uploads/2012/03/Pedro-Jovem.png"><img class="aligncenter size-full wp-image-51" title="Pedro Jovem" src="http://mgar.com.br/blog/wp-content/uploads/2012/03/Pedro-Jovem.png" alt="" width="502" height="255" /></a></p>
<p>Pedro cresceu atormentado pela perda dos pais. Além disso, por conta de suas precoces responsabilidades, não podia ter amigos de sua idade e mesmo com seus irmãos, o contato era limitado. Teve, dessa forma, uma infância triste e solitária o que lhe tornou tímido e retraído.</p>
<p>Porém, o menino encontrou nos livros um refúgio para sua solidão. Desde cedo, passou a apreciar a leitura e devorava livros de todos os tipos e em várias línguas. Com o tempo, Dom Pedro II se tornou um erudito. Aprendeu inglês, francês, latim, grego, árabe e até tupi-guarani. Estudou história, filosofia, religião, geografia, matemática e biologia. Interagiu pessoalmente com inúmeros intelectuais da época como Darwin, Nietzsche e Wagner, que se espantaram com a sabedoria daquele imperador de uma terra tão distante.</p>
<p>Na esfera militar, Dom Pedro II se mostrou um estrategista e um bravo guerreiro. Conduziu diversos conflitos e venceu todos, dentre eles a terrível Guerra do Paraguai (1864 a 1870), ainda que por muitos condenada como um dos maiores genocídios da história das Américas.</p>
<p>No âmbito moral, a conduta de Dom Pedro II era exemplar. Sempre discreto, nunca ostentava sua majestade. Chegou a determinar o fim dos bailes da Corte em 1852. Recusou repetidas vezes propostas de aumento de seus benefícios, bem como qualquer tipo de luxo, dizendo: &#8220;Despesa inútil é furto à nação&#8221;. Exigia também que os funcionários do Império trabalhassem 8 horas por dia criou uma rígida política de gestão baseada na moralidade e no mérito.</p>
<p><a href="http://mgar.com.br/blog/wp-content/uploads/2012/03/Pedro-Velho.png"><img class="aligncenter size-full wp-image-53" title="Pedro Velho" src="http://mgar.com.br/blog/wp-content/uploads/2012/03/Pedro-Velho.png" alt="" width="419" height="277" /></a></p>
<p>Lutou contra a escravidão, que considerava &#8220;uma vergonha nacional&#8221;. Nunca possuiu escravos. Enfrentou as oligarquias e promulgou a Lei do Ventre Livre em 1870, determinando que todas as crianças nascidas de pais escravos seriam livres. Sua filha, Princesa Isabel, em 1888, promulgou a Lei da Abolição, tornando ilegal a escravidão no Brasil.</p>
<p>Mesmo com tudo isso, seu reinado teve um triste fim. No auge de sua popularidade (o povo amava Dom Pedro II), um pequeno grupo de militares descontentes deu um golpe de estado e extinguiu o Império, criando a República em 1889. Dizem que o Marechal Deodoro da Fonseca, líder do golpe, era amigo pessoal de Dom Pedro II e que teria pedido desculpas ao Imperador, quando o acompanhou para o embarque ao exílio em Portugal. Dom Pedro II, na ocasião, teria soltado um sonoro palavrão em retribuição.</p>
<p>Mas Dom Pedro II era um homem da paz. Não deixou que o país entrasse em guerra civil e nunca apoiou qualquer tentativa de restauração da monarquia. Viveu seus últimos anos da mesma forma com que começou sua vida: solitário. No exílio, teve uma vida modesta e recusou solenemente a proposta do governo da nova república brasileira de lhe dar uma pensão. O ato da república querer dar uma pensão ao Imperador deposto é algo insólito após um golpe de estado e só reforça o respeito e a admiração que todos tinham por ele. A recusa do Imperador, além disso, reitera o seu caráter.</p>
<p>No leito de morte, em 1891, Dom Pedro II disse: &#8220;Se eu não fosse imperador, desejaria ser professor. Não conheço missão maior e mais nobre que a de dirigir as inteligências jovens e preparar os homens do futuro.”</p>
<p>Dom Pedro II morreu aos 66 anos de idade, dos quais praticamente 50 passou como Imperador do Brasil, como um exemplo de moralidade e de amor à cultura. Foi enterrado em Portugal, tendo sob sua cabeça um livro, simbolizando sua dedicação ao conhecimento.</p>
<p><a href="http://mgar.com.br/blog/wp-content/uploads/2012/03/Pedro-Morto.png"><img class="aligncenter size-full wp-image-52" title="Pedro Morto" src="http://mgar.com.br/blog/wp-content/uploads/2012/03/Pedro-Morto.png" alt="" width="522" height="283" /></a></p>
<p>Hoje, os restos de Dom Pedro II descansam na Catedral de Petrópolis, para onde foram trasladados em 1921, a tempo das comemorações do Centenário da Independência em 1922. A cerimônia foi uma comoção nacional, com milhares de pessoas. &#8220;Os velhos choravam. Muitos se ajoelhavam. Todos batiam palmas. Não se distinguiam mais republicanos e monárquicos. Eram brasileiros.&#8221;, conforme descrito pelo historiador Pedro Calmon.</p>
<p>Esse texto não é uma defesa da monarquia. É muito difícil, senão impossível, prever o que teria sido do Brasil se a República não tivesse sido instaurada. Esse texto é apenas a valorização da vida de uma pessoa, cujo exemplo é uma pungente inspiração para todos aqueles que amam a profissão de professor.</p>
<p><a href="http://mgar.com.br/blog/wp-content/uploads/2012/03/Sepultura.png"><img class="aligncenter size-full wp-image-55" title="Sepultura" src="http://mgar.com.br/blog/wp-content/uploads/2012/03/Sepultura.png" alt="" width="782" height="491" /></a></p>
<p align="center">Tumba de Dom Pedro II na Catedral de Petrópolis, no Rio de Janeiro</p>
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		<title>O exemplo do Marechal</title>
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		<pubDate>Mon, 23 Jan 2012 18:14:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mauricio</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A educação é feita por exemplos. Os alunos aprendem mais quando admiram o exemplo de vida de seus professores. A experiência de mercado sempre gera respeito nos alunos, eles gostam de ter aula com quem vive ou viveu na prática &#8230; <a href="http://mgar.com.br/blog/?p=24">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A educação é feita por exemplos. Os alunos aprendem mais quando admiram o exemplo de vida de seus professores. A experiência de mercado sempre gera respeito nos alunos, eles gostam de ter aula com quem vive ou viveu na prática aquilo que está ensinando. Mas o exemplo não se dá apenas na parte técnica. A lisura e a conduta ética é algo que os alunos rapidamente conseguem identificar e sabem dar o devido valor. Mesmo os professores mais exigentes, com avaliações rigorosas e rígida disciplina, quando justos, são admirados pelos alunos. Gandhi dizia: &#8220;é preciso ser exemplo da causa que se advoga&#8221;.</p>
<p>A história possui inúmeros casos de pessoas que se tornaram exemplos de conduta e, nem por isso, deixaram de ser rigorosos, como é o caso de Cândido Mariano da Silva Rondon, conhecido entre nós como o &#8220;Marechal Rondon&#8221;. Nascido em 1865, no interior do Mato Grosso, numa época em que a &#8220;civilização&#8221; ainda beirava aquela região, Rondon descende pelo lato materno de índios bororo e terena. Ficou órfão cedo e passou fome. Com 16 anos, alistou-se no 3o. Regimento de Artilharia a Cavalo no Rio de Janeiro, para ele uma forma de assegurar refeições constantes e alguma educação.</p>
<div align=center><img src=http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/a/a9/Marechal_Rondon.jpg><br />
<font size=2>O Marechal Cândido Rondon em 1930</font>
</div>
<p>&nbsp;</br></p>
<p>Rondon tinha 27 anos de idade quando foi designado para construir linhas telegráficas que ligassem o Mato Grosso ao resto do País. Durante décadas se embrenhou pelas selvas brasileiras, construindo linhas telegráficas e estradas, entrando em contato com os bororos, nhambiquaras, urupás, jarus, karipunas, ariquemes, pacaás, macuporés, guarayas, macurapes, entre outros. Nunca permitiu que seus homens atirassem contra os índios, mesmo quando atacados. Seu lema era &#8220;morrer se for preciso&#8221;. Chegou a ser flechado em 1913 pelos nhambiquaras e, ainda assim, não permitiu que seus homens reagissem.</p>
<p>Em 1914, aos 49 anos, Rondon participou de uma insólita missão com o ex-presidente norte-americano Theodore Roosevelt, explorando um desconhecido rio da Bacia Amazônica, episódio descrito no emocionante livro <a target=_blank href=http://www.livrariasaraiva.com.br/produto/1978679>Rio da Dúvida</a>, de Candice Millard (Cia. das Letras), vale a pena ler. Nessa missão, após semanas de toda sorte de privações e adversidades, a expedição chegou à casa de um seringueiro, abastecida com comida e mantimentos. Ainda que famintos, Rondon não permitiu que ninguém tocasse em nada, pois essa comida não era deles e o seringueiro não estava lá para autorizar. Mesmos revoltados, todos se resignaram e obedeceram o franzino coronel (tornou-se marechal anos depois, em 1955).</p>
<div align=center><img width=650 src=http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/f/fa/River-doubt-team.jpg><br />
<font size=2>Da esquerda para a direita (sentados): Father Zahm, Rondon, Kermit, Cherrie, Miller, quatro brasileiros, Roosevelt, Fiala. Foto tirada em 1914 durante a Expedição Científica Rondon-Roosevelt.</font></div>
<p>&nbsp;</br></p>
<p>Morreu em 1958, pouco antes de completar 93 anos, sem jamais ter negociado um fio de suas convicções. Hoje, talvez seja um dos nomes mais homenageados no Brasil, batizando praças, ruas, bairros, escolas, rodovias, aeroportos, cidades e até um estado (Rondônia). Seu busto estampou a cédula de mil cruzeiros e chegou a ser indicado ao Prêmio Nobel da Paz, em 1957. Foi o criador do Serviço de Proteção ao Índio, que depois seria a base da FUNAI. Inspirou gerações de indigenistas e sertanistas como Darcy Ribeiro e os irmãos Villasboas.</p>
<p>Rondon nos deixa, assim, inúmeras lições e exemplos. Mostra-nos que nada substituiu a dedicação às nossas verdades e que sempre é possível encontrar uma forma de conciliá-las com as adversidades do dia-a-dia. Diria Rondon: &#8220;sendo incompatíveis às vezes os interesses da Ordem com os do Progresso, cumpre tudo ser resolvido à luz do Amor&#8221;.</p>
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		<title>O desafio da formação de guerreiros</title>
		<link>http://mgar.com.br/blog/?p=19</link>
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		<pubDate>Sat, 20 Aug 2011 22:42:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mauricio</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://mgar.com.br/blog/?p=19</guid>
		<description><![CDATA[Elizabeth I foi rainha da Inglaterra de 1558 a 1603, a última da dinastia Tudor. Ficou conhecida como a “Rainha Virgem” pelo fato de nunca ter se casado. No ano de 1584, a Rainha deu permissão a Sir Walter Raleigh &#8230; <a href="http://mgar.com.br/blog/?p=19">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Elizabeth_I_de_Inglaterra" target="_blank">Elizabeth I</a> foi rainha da Inglaterra de 1558 a 1603, a última da dinastia Tudor. Ficou conhecida como a “Rainha Virgem” pelo fato de nunca ter se casado. No ano de 1584, a Rainha deu permissão a Sir <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Walter_Raleigh" target="_blank">Walter Raleigh</a> para que empreendesse viagem ao Novo Mundo e lá se estabelecesse em nome da Inglaterra. Começava a ocupação da América do Norte pela Inglaterra e nascia o que viria a se tornar os Estados Unidos. Em homenagem à Rainha Virgem, a região explorada recebeu o nome de <a href="http://maps.google.com.br/maps?q=Virginia,+United+States&amp;hl=en&amp;sll=-14.239424,-53.186502&amp;sspn=48.182406,73.037109&amp;vpsrc=0&amp;z=7" target="_blank">Virgínia</a>.</p>
<p>A ocupação do território americano se caracterizou por graves embates com as populações indígenas que lá existiam. Estima-se que mais de 20 milhões de índios tenham sido mortos ou dizimados por doenças exóticas, ao longo dos três primeiros séculos de ocupação. Todavia, num dos raros momentos de aproximação amistosa com os índios, teriam os ingleses convidados os índios a enviar seus jovens a estudar em suas escolas, para que pudessem se tornar indivíduos “civilizados”. Tempos depois, insatisfeitos com os resultados desse processo de “civilização” teriam escrito os índios aos europeus:</p>
<blockquote><p><em>“Muitos dos nossos bravos guerreiros foram formados em vossas escolas e aprenderam toda a vossa ciência. Mas quando eles voltavam para nós, eles eram maus corredores, ignorantes da vida da floresta e incapazes de suportarem o frio e a fome. Não sabiam como caçar o veado, matar o inimigo e construir uma cabana, e falavam a nossa língua muito mal. Eles eram, portanto, totalmente inúteis. Não serviam como guerreiros, como caçadores ou como conselheiros. Ficamos extremamente agradecidos pela vossa oferta e, embora não possamos aceitá-la, para mostrar a nossa gratidão oferecemos aos nobres senhores de Virgínia que nos enviem alguns dos seus jovens, que lhes ensinaremos tudo o que sabemos e faremos deles homens.&#8221;</em></p></blockquote>
<p>Essa história ficou muito conhecida, pois <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Benjamin_franklin" target="_blank">Benjamin Franklin</a> (1706-1790) costumava repeti-la em seus discursos. Também se tornou comum citar o episódio em diversos textos sobre educação, há centenas de links na <a href="http://www.google.com.br/#sclient=psy&amp;hl=en&amp;source=hp&amp;q=virginia+faremos+deles+homens&amp;pbx=1&amp;oq=virginia+faremos+deles+homens&amp;aq=f&amp;aqi=&amp;aql=&amp;gs_sm=e&amp;gs_upl=4889l6504l2l6823l9l8l0l0l0l5l288l1890l2-8l8l0&amp;bav=on.2,or.r_gc.r_pw.&amp;fp=81650cff2640116d&amp;biw=1212&amp;bih=683" target="_blank">Internet</a> que remetem a textos com essa passagem.</p>
<p>Sem querer, assim, ser repetitivo, podemos trazer essa mensagem para o contexto de nossas aulas. De que adianta fazer nossos alunos decorar fórmulas complexas que nunca vão usar? De que adianta exigir-lhes que memorizem datas e nomes de histórias que não lhe trazem nenhum significado? Por que continuamos a ensinar coisas que nós mesmos, quando estudantes, fomos incapazes de aprender?</p>
<p>Essa não é uma discussão simples e sempre há grande resistência quando se propõe a fazer aquilo que <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Comenius" target="_blank">John Comenius</a> já nos ensinava no Século XVII: “precisamos ensinar menos para que os alunos possam aprender mais”.</p>
<p>Não falo, obviamente, de banalizar a educação e suprimir conteúdos essenciais para a formação profissional. O problema, todavia, é que todo professor considera a sua disciplina como a mais importante para o curso em que atua. Afinal, somos apaixonados por aquilo que ensinamos. O que falo, assim, é para refletirmos sobre os conteúdos sob o prisma do ensino sobre competências. O foco sempre deve ser o desenvolvimento da competência, nunca o conteúdo em si. Todo conteúdo que não tiver clara conexão com o desenvolvimento das competências elencadas para a disciplina podem e devem ser suprimidos.</p>
<p>Num mundo em que a quantidade de conhecimento se multiplica todos os dias, é cada vez mais difícil fazer com que os alunos saibam tudo. O que queremos, na realidade, é que os alunos desenvolvam a capacidade de buscar e mobilizar conhecimentos para a realização de um objetivo claro e definido. Só assim, teremos guerreiros e não robôs que repetem textos memorizados.</p>
<p>______________</p>
<p><strong>Dicas:</strong></p>
<p>Um interessante filme sobre a história da Rainha Virgem é &#8220;Elizabeth&#8221;, com Cate Blanchet. Veja a <a href="http://interfilmes.com/filme_13213_Elizabeth-(Elizabeth).html" target="_blank">sinopse</a>.</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>O inglês que perdeu a cabeça</title>
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		<pubDate>Sun, 24 Jul 2011 11:46:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mauricio</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Há uma polêmica entre os historiadores sobre quem foi o primeiro rei da Inglaterra, mas com certeza foi antes do Século XI, ou seja, já faz mais de mil anos. De lá para cá, a monarquia britânica segue como uma &#8230; <a href="http://mgar.com.br/blog/?p=18">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Há uma polêmica entre os historiadores sobre quem foi o primeiro rei da Inglaterra, mas com certeza foi antes do Século XI, ou seja, já faz mais de mil anos. De lá para cá, a monarquia britânica segue como uma das mais longas instituições do mundo. Poucos sabem, porém, que houve uma pequena interrupção de 11 anos, entre 1649 e 1660. Nesse período, após uma guerra civil que culminou com o julgamento e execução do Rei Carlos I, acusado de traição pelo Parlamento, a Inglaterra foi uma república.</p>
<p>O líder dessa efêmera república foi <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Oliver_Cromwell">Oliver Cromwell</a>, que recebeu o título de &#8220;Lorde Protetor&#8221;, mas que morreu doente em 1658. Seu filho Richard Cromwell tentou dar continuidade à república, mas a monarquia acabou sendo restaurada em 1660, com a coroação de Carlos II, filho do monarca executado 11 anos antes.</p>
<div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"><a href="http://4.bp.blogspot.com/-8zTZ9YkTxMg/TlDwfpia2CI/AAAAAAAAAEY/B8jgqO2jDqU/s1600/image1.jpeg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"><img border="0" height="180" src="http://4.bp.blogspot.com/-8zTZ9YkTxMg/TlDwfpia2CI/AAAAAAAAAEY/B8jgqO2jDqU/s320/image1.jpeg" width="320" /></a></div>
<p>
<div style="text-align: center;">Oliver Cromwell (1599-1658)</div>
<p>A restauração da monarquia não se deu, todavia, sem uma vigorosa dose de vingança. Quase todos os juízes ainda vivos que condenaram o monarca em 1649 foram perseguidos, presos, enforcados e esquartejados. E os que já tinham morrido, tiveram seus corpos exumados e enforcados.</p>
<div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"><a href="http://2.bp.blogspot.com/-PJMOcIwQaBw/TlDwgGt0CGI/AAAAAAAAAEc/tGNU6Ch_q6c/s1600/image2.jpeg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"><img border="0" height="180" src="http://2.bp.blogspot.com/-PJMOcIwQaBw/TlDwgGt0CGI/AAAAAAAAAEc/tGNU6Ch_q6c/s320/image2.jpeg" width="320" /></a></div>
<p>
<div style="text-align: center;">Corpo de Cromwell exumado e enforcado (1661)</div>
<div style="text-align: center;"></div>
<p>O corpo do líder Cromwell teve tratamento especial. Após ter ficado pendurado para exibição pública, teve sua cabeça decepada e fincada num mastro de mais de seis metros de altura em frente à Abadia de Westminster, onde anos antes fora sepultado com as pompas de um rei. E lá ficou fincada, exposta por mais de 20 anos, como um aviso inequívoco aos inimigos da monarquia.</p>
<p>Em 1685 começa uma insólita história com algumas sinistras coincidências. Nesse ano, morre o Rei Carlos II e, logo em seguida, uma forte tempestade se abate sobre Londres causando a quebra do mastro em que se encontrava a caveira de Cromwell. Diz-se que ela teria sido recolhida por um sentinela do local, que a manteve escondida por muitos anos, até que ela reaparece em 1710, em um museu de curiosidades de um colecionador suíço chamado Claudius Du Puy.</p>
<div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"><a href="http://1.bp.blogspot.com/-rQBGLY4jK7o/TlDwgh3W8tI/AAAAAAAAAEg/Jg3WMVFBC5o/s1600/image3.jpeg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"><img border="0" height="180" src="http://1.bp.blogspot.com/-rQBGLY4jK7o/TlDwgh3W8tI/AAAAAAAAAEg/Jg3WMVFBC5o/s320/image3.jpeg" width="320" /></a></div>
<p>
<div style="text-align: center;">Anúncio da exposição da cabeça de Cromwell (1710)</div>
<p>Com a morte Du Puy, a cabeça foi sucessivamente vendida, passando na mão de aventureiros, colecionadores, entre outros, tal como Samuel Russel, James Cox e os irmãos Hughes. Em 1815, a cabeça foi vendida para Josiah Henry Wilkinson, em cuja família permaneceu durante 150 anos.</p>
<p>Finalmente, em 25 de março de 1960, a família Wilsinson optou por sepultar a cabeça de Cromwell, no Sideny Sussex College, em Cambridge, onde se encontra repousando no momento.</p>
<div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"><a href="http://1.bp.blogspot.com/-GAY8a0MVLmU/TlDwhGgQLmI/AAAAAAAAAEk/RjSBBKND87c/s1600/image4.jpeg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"><img border="0" height="180" src="http://1.bp.blogspot.com/-GAY8a0MVLmU/TlDwhGgQLmI/AAAAAAAAAEk/RjSBBKND87c/s320/image4.jpeg" width="320" /></a></div>
<p>
<div style="text-align: center;">Cabeça de Cromwell, com os herdeiros Wilkinson, nos anos 50</div>
<p>Alguns consideram Cromwell como vilão, outros como herói. Mas o fato é que a revolução por ele liderada é um marco do fim da monarquia absolutista, mais de 100 anos antes da Revolução Francesa. Ainda que date de 1215 a chamada &#8220;Magna Carta&#8221;, que impõe limites ao poder do Rei, é o julgamento e execução do Rei Carlos I que efetivamente simboliza um novo conceito, em que o Rei não é um senhor divino todo-poderoso e que deve prestar contas a um Parlamento. A monarquia restaurada com Carlos II já não é mais absolutista, tem no Parlamento um centro expressivo de poder e seu modelo e é a base das modernas monarquias parlamentares que existem até hoje.</p>
<p>Ao menos para o Parlamento Inglês, Cromwell é um herói. Em frente à sua sede, em Westminster, encontra-se uma imponente estátua de Cromwell, simbolizando que essa Casa deve ser respeitada.</p>
<div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"><a href="http://2.bp.blogspot.com/-BP7esytolT8/TlDwh3q3c2I/AAAAAAAAAEo/9sOKvEDAqPM/s1600/image5.jpeg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"><img border="0" height="240" src="http://2.bp.blogspot.com/-BP7esytolT8/TlDwh3q3c2I/AAAAAAAAAEo/9sOKvEDAqPM/s320/image5.jpeg" width="320" /></a></div>
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		<title>E o acaso fez Constantinopla</title>
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		<pubDate>Thu, 23 Jun 2011 22:43:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mauricio</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Constantino tornou-se imperador romano no ano de 306, aos 34 anos de idade. Sete anos depois, em 313, assinou o famoso Edito de Milão, que tirou o Cristianismo da clandestinidade e abriu as portas para que essa se tornasse a &#8230; <a href="http://mgar.com.br/blog/?p=17">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Constantino tornou-se imperador romano no ano de 306, aos 34 anos de idade. Sete anos depois, em 313, assinou o famoso Edito de Milão, que tirou o Cristianismo da clandestinidade e abriu as portas para que essa se tornasse a religião oficial do Império, com Teodósio, cerca de 70 anos depois. Em 330, Constantino transferiu a capital para a cidade de Bizâncio, localizada às margens do Estreito de Bósforo, que delimita uma das fronteiras da Europa com a Ásia. Bizâncio passou a ser chamada de &#8220;Nova Roma&#8221;. Quando Constantino morreu, em 337, a cidade passou a ser chamada de &#8220;Constantinopla&#8221;, em sua homenagem, e seguiu como capital do Império Romano até 395, quando o Império se dividiu e passou a ter duas capitais. </p>
<p>Talvez essa história seja conhecida por muitos. Todavia, poucos sabem por que Constantino escolheu Bizâncio para ser a nova capital imperial. </p>
<p>Apesar de ser imperador romano, Constantino tinha uma pendência muito maior pelo Oriente do que pelo mundo latino propriamente dito. Não nasceu em Roma, nasceu em Naissus (atual Nis, na Sérvia) e passou sua infância pelas terras orientais do Império, sob a influência de sua mãe, Helena, personagem de vital importância histórica, porém pouco conhecida. Convertida ao Cristianismo, muitos acreditam que foi Helena quem influenciou Constantino a assinar o Édito de Milão. Também atribui-se a Helena, em suas viagens a Jerusalém, a descoberta, no dia 3 de maio de 326, em uma cisterna a leste do Monte Calvário, da Vera Cruz na qual em que Cristo teria sido crucificado. Lá mandou construir a Basílica do Santo Sepulcro. Foi Helena, ainda, quem teria descoberto a gruta em que Cristo nasceu em Belém, onde ordenou a construção da Igreja da Natividade.</p>
<p>Ao regressar de uma de suas viagens à Terra Santa, Helena morreu aos 80 anos, em Bizâncio. Isso foi no ano de 330, exatamente no mesmo ano em que Constantino transferiu para lá a capital do império, o que demonstra a influência que sua mãe teve em sua vida e em suas decisões. Canonizada, tornou-se santa e seu nome, entre outros, veio a batizar a Ilha de Santa Helena, em que Napoleão morreu exilado. </p>
<p>Helena, assim, não foi um personagem periférico em sua época. E o destaque é que ela não nasceu na Europa. Helena nasceu na Ásia Menor, em um vilarejo chamado Drepanon, na Bitínia (perto da atual cidade de ?zmit na Turquia), há poucos quilômetros de Bizâncio. Assim, necessariamente para ir à terra natal de sua mãe, Constantino tinha que passar pelo Bósforo, ou seja, por Bizâncio. O caminho por Dardanelos seria muito maior e pelo Cáucaso, impensável.</p>
<p>Não havia como deixar de se impressionar pela beleza do lugar. Portal da Ásia, recortado por penínsulas e reentrâncias, com a paisagem do Mar de Mármara e do Mar Negro contrastando com as suaves colinas do continente de ambos os lados, Bizâncio deixava marcas em qualquer um que por lá se aventurasse.</p>
<p>Foi assim, apaixonado casualmente pelo local de passagem no caminho das terras de sua influente mãe, que Constantino resolveu construir uma cidade que se tornaria a metrópole mais importante do mundo durante praticamente toda a Idade Média. Tomada pelos turcos otomanos, em 1453, quando passou a se chamar Istambul, a cidade até hoje impressiona os visitantes, não somente pela sua beleza natural, mas também por suas monumentais construções como a Basílica de Santa Sofia, a Mesquita Azul e o Palácio Topkapi.</p>
<div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"><a href="http://1.bp.blogspot.com/-lwT-1CvRCEQ/TlA4-dkaPKI/AAAAAAAAACo/mbzoActvpMc/s1600/mapa+constantinopla.png" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"><img border="0" height="225" src="http://1.bp.blogspot.com/-lwT-1CvRCEQ/TlA4-dkaPKI/AAAAAAAAACo/mbzoActvpMc/s400/mapa+constantinopla.png" width="400" /></a></div>
<p>Guardadas as devidas proporções, o episódio ilustra como determinados eventos, aparentemente simples e casuais, podem influenciar com enorme profundidade o destino das pessoas. Muitos dos professores que são mais antigos e mais experientes já passaram pela oportunidade de serem procurados por ex-alunos, vários anos depois que se formaram, e que relatam estarem trabalhando em determinada área ou fazendo determinada pós-graduação, por conta daquilo que lhes foi dito pelo professor quando eram alunos. </p>
<p>Muitas vezes não nos damos conta da importância daquilo que falamos aos alunos e do poder que isso tem em influenciar seus destinos. Então, é com essa consciência que devemos entrar na sala de aula, afinal a influência de nossas mensagens pode ser tanto positiva quanto negativa. Basta lembrar da época em que fomos alunos, não nos lembramos até hoje dos professores que nos influenciaram?</p>
<div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"><a href="http://1.bp.blogspot.com/-__Dp1XzNTS0/TlGKW-WFL1I/AAAAAAAAAE8/ISW9LjYK0Tw/s1600/mesquitaazul.png" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"><img border="0" height="238" src="http://1.bp.blogspot.com/-__Dp1XzNTS0/TlGKW-WFL1I/AAAAAAAAAE8/ISW9LjYK0Tw/s320/mesquitaazul.png" width="320" /></a></div>
<p>
<div style="text-align: center;">Mesquita Azul, em Istanbul</div>
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		<title>O sucesso e o bom planejamento</title>
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		<pubDate>Mon, 18 Apr 2011 22:47:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mauricio</dc:creator>
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		<description><![CDATA[No final do ano de 1911, dois exploradores entraram em uma disputa para ver quem chegaria primeiro ao Pólo Sul, na Antártida. Eram eles Roald Amundsen, da Noruega, e o britânico Robert Falcon Scott, ambos com um objetivo bem claro &#8230; <a href="http://mgar.com.br/blog/?p=16">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>No final do ano de 1911, dois exploradores entraram em uma disputa para ver quem chegaria primeiro ao Pólo Sul, na Antártida. Eram eles Roald Amundsen, da Noruega, e o britânico Robert Falcon Scott, ambos com um objetivo bem claro à sua frente: chegar ao Pólo Sul. </p>
<p>A expedição de Amundsen foi um primor em termos de planejamento. Todos seus suprimentos eram puxados por cães de raças acostumadas à região. Durante a ida, foram sendo deixadas &#8220;ilhas&#8221; de víveres para a volta, ou seja, a carga ia ficava cada vez mais leve e a volta seria simplesmente uma trilha bem sinalizada de ilhas de alimentos. Além disso, ao escolher cães para puxar os trenós, conforme a carga ia ficando leve, Amundsen ia abatendo alguns para dar de comer aos outros cães. Nos tempos atuais, isso pode parecer algo cruel para com os cães, mas as condições adversas da Antártida e os recursos disponíveis naquela época não lhes davam opções mais viáveis.</p>
<p>Scott, por outro lado, optou por levar pôneis da Manchúria, acostumados com o frio, mas que, além de não poderem comer-se uns aos outros, tinham de carregar a própria comida, além de toda tralha da expedição. Scott também não optou por deixar uma trilha de ilhas de víveres, assim teve que transportar tudo na ida e na volta.</p>
<p>Ambos chegaram ao Pólo Sul, mas Amundsen chegou antes, no dia 14 de dezembro de 1911. Scott chegou cerca de um mês depois, mas toda sua equipe, inclusive ele, morreu no trajeto de volta, enquanto a equipe de Amundsen chegou alguns quilos mais gorda do que partiu. Dizem que Scott morreu de frio e inanição, mas por uma triste coincidência, a poucos metros de uma das ilhas de víveres de Amundsen, que estava oculta sob a neve.</p>
<p>Obviamente, esse é um exemplo dramático, mas ilustra claramente a importância do bom planejamento para que os objetivos sejam atingidos. Trabalhar sem planejamento é como navegar sem bússola. É o mesmo que dirigir de olhos fechados. E o fato se aplica a todas as situações, inclusive a educação e o ensino superior. A cultura do Projeto Pedagógico é algo que precisa ser buscado como um norteador fundamental da atuação docente e não somente como uma peça burocrática para fins regulatórios.</p>
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		<title>Do monge ao aluno</title>
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		<pubDate>Sat, 15 Jan 2011 23:53:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mauricio</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Parece que foi assim: um monge beneditino do Séc. XI, chamado Guido d&#8217;Arezzo, gostava de uma canção em homenagem a São João Batista, chamada &#8220;Ut queant laxis&#8220;. E, de cada verso em latim dessa canção, extraiu as primeiras letras para &#8230; <a href="http://mgar.com.br/blog/?p=15">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Parece que foi assim: um monge beneditino do Séc. XI, chamado Guido d&#8217;Arezzo, gostava de uma canção em homenagem a São João Batista, chamada &#8220;<a target="_blank" href="http://www.youtube.com/watch?v=SugtS3tqsoo">Ut queant laxis</a>&#8220;. E, de cada verso em latim dessa canção, extraiu as primeiras letras para dar nome às notas musicais do sistema que estava criando. Surgiram então UT, RE, MI, FA, SOL, LA e SI (UT depois virou DO). Essas notas, passou a registrá-las em cinco linhas horizontais, ou pautas, e com isso nascia o moderno sistema de notação musical, as chamadas partituras. <br />Mas muita gente pode pensar: se os músicos de uma orquestra são tão profissionais, porque eles precisam de partituras para tocar? Porque não tocam de cor? </p>
<p>Acontece que as orquestras se caracterizam por seu repertório variado. Mudam com muita frequência o que vão tocar. Assim, conseguem agradar seu público e não ficam enfadonhas por tocar sempre as mesmas composições. E, por conta disso, é impossível aos músicos decorar todas as sequências harmônicas de todas as peças que precisam executar. Podem até memorizar uma ou outra mais famosa, mas tudo é impossível. Dizem ter existido na Europa uma orquestra que se caracterizava por tocar sem partitura. Mas tocava exclusivamente as nove sinfonias de Beethoven. Ainda que cada uma delas tenha vários movimentos, são apenas nove composições. Mas, com o tempo, o público se cansou de sempre ouvir a mesma coisa e a orquestra acabou fechando.</p>
<p>Mas o que importa, na verdade, não é o que tocar e sim como tocar. É a sensibilidade do músico, a inspiração do artista, a regência do maestro, entre outros, que fazem cada execução única. Convido-os, como teste, a ouvir a Suíte n.1 para violoncelo de Bach executada por <a target="_blank" href="http://www.youtube.com/watch?v=dZn_VBgkPNY">Yo-Yo Ma</a> e, depois, por <a target="_blank" href="http://www.youtube.com/watch?v=LU_QR_FTt3E">Rostropovich</a>, ambas interpretações soberbas, mas completamente diferentes. Se navegarmos nos links do Youtube, vamos achar interpretações em guitarra, baixo, violão e até em acordeão para a mesma suíte, todas incríveis, cada uma com o toque pessoal do artista.</p>
<p>Não precisamos que nossos alunos decorem a matéria que ensinamos. Precisamos que eles saibam executá-la com maestria. Não precisamos que eles saibam de cor os conteúdos, precisamos que eles saibam mobilizá-los para produzir entregas e realizações. É completamente diferente ensinar por conteúdo do que ensinar por competência. E é igualmente diferente avaliar o aprendizado por conteúdo do que avaliar por competência. </p>
<p>Se conseguimos ver beleza na execução de músicos que lêem partituras, porque não podemos valorizar os méritos dos alunos que, mais do que memorizar, são capazes de colocar em prática aquilo que aprenderam?</p>
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		<title>As guerras do fim do mundo</title>
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		<pubDate>Thu, 06 Jan 2011 01:22:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mauricio</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A Terra do Fogo, na verdade, é uma ilha. Encontra-se hoje dividida entre Argentina e Chile e suas deslumbrantes paisagens encerram importantes episódios da história moderna e contemporânea. Com sua silhueta toda entrecortada, a ilha está separada do extremo sul &#8230; <a href="http://mgar.com.br/blog/?p=14">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A Terra do Fogo, na verdade, é uma ilha. Encontra-se hoje dividida entre Argentina e Chile e suas deslumbrantes paisagens encerram importantes episódios da história moderna e contemporânea. Com sua silhueta toda entrecortada, a ilha está separada do extremo sul da América por uma faixa de mar que liga os oceanos Atlântico e Pacífico. Essa faixa de mar se tornou famosa em 1520 quando <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Fern%C3%A3o_de_Magalh%C3%A3es">Fernão de Magalhães</a> conseguiu atravessá-la, permitindo uma passagem mais segura do que o caminho contornando o chamado Cabo Horns, último arquipélago americano antes da Antártida. A partir dessa façanha, a passagem passou a ser chamada de Estreito de Magalhães.</p>
<p>Afirma-se que quando Magalhães passou pela sua região, tinha à sua direita o continente Americano e, à sua esquerda, a face da norte da ilha que acabara de descobrir. E, na margem dessa ilha, visualizou uma série de fumaças oriundas de fogueiras. Tais fogueiras tinham sido feitas pelos índios Selknams, que habitavam a região, e que as estavam utilizando para alertar a presença dos intrusos. Por causa dessas fogueiras, Antonio Pigafetta, escritor italiano que havia pago do seu próprio bolso para viajar com Magalhães, referiu-se à região em seu diário como “Terra das Fogueiras” que depois passou a ser simplesmente “Terra do Fogo”.</p>
<p>A época de Magalhães foi notável. Apenas 28 anos antes, Colombo chegara às ilhas da região das Bahamas. Outras empreitadas antecederam Magalhães, como as de <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Am%C3%A9rico_Vesp%C3%BAcio">Américo Vespúcio</a> em 1499 e <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Pedro_%C3%81lvares_Cabral">Pedro Álvares Cabral</a> em 1500. Detalhe: Américo Vespúcio foi o primeiro dos descobridores a afirmar que a terra a que Colombo chegara era, de fato, um novo continente. Antes deles, acreditava-se que eram as Índias Orientais. Foi assim, em sua homenagem, que o novo continente recebeu seu nome, apesar da descoberta não ter sido feita por ele.</p>
<p>Após cruzar o estreito que levou seu nome, Magalhães atingiu o Pacífico e seguiu viagem até as Filipinas, onde foi morto em combate com os nativos em 1521, aos 41 anos de idade. Dramática foi a empreitada de Magalhães. Partiram em 1519 de Sanlúcar de Barrameda, na Andaluzia espanhola (Magalhães era português, mas fora contratado pela corte espanhola para realizar a missão), com cinco naus e 256 homens. Três anos depois, concluíram a primeira volta ao mundo, mas retornando apenas uma nau com 18 homens, incluindo Pigafetta, sob o comando de Juan Sebastián Elcano.</p>
<div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"><a href="http://3.bp.blogspot.com/-8tHlhr3SVas/TlDliz2om3I/AAAAAAAAAC8/ynPUtOik5Tk/s1600/image1.gif" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"><img border="0" height="183" src="http://3.bp.blogspot.com/-8tHlhr3SVas/TlDliz2om3I/AAAAAAAAAC8/ynPUtOik5Tk/s320/image1.gif" width="320" /></a></div>
<div style="text-align: center;"></div>
<div style="text-align: center;"><span style="font-family: Arial, sans-serif; font-size: 8pt; line-height: 115%;">Figura 1. Mapa da rota iniciada por Magalhães em 1519 e concluída por Elcano em 1522</span></div>
<p>A descoberta do Estreito de Magalhães foi um fato memorável, pois permitiu uma rota segura de navegação entre os dois oceanos, sendo a principal rota trans-oceânica até a construção do Canal do Panamá, em 1913. Todavia, durante os primeiros séculos, a região foi utilizada apenas como passagem. Sua colonização propriamente dita só iria se iniciar no Século XIX.</p>
<p>Pouco antes dessa colonização, houve um fato interessante. Em 1763, partiu da localidade de Saint-Malo, na França, o navegador e explorador Louis Antoine de Bouganville. Cinco meses depois, já em 1764, Bouganville chegou a um arquipélago no extremo sul da América, chamando as ilhas de “Malouines”, em homenagem ao porto de onde partiu na França. Em 1767, a França deu as ilhas à Espanha, que traduziram o seu nome para “Malvinas”. Conta-se que as ilhas foram dadas como ressarcimento por um acordo não cumprido em 1725, quando Luís XV, rei da França, casou-se com uma princesa polonesa, quebrando o acordo que havia para matrimônio com uma infanta de Espanha. Na época, a França era uma potência colonial nas Américas, com terras que iam do Canadá até o extremo sul, passando por diversas regiões como a Louisiana, o Haiti e as Guianas. Resolveu, então, presentear a Espanha com um pequeno arquipélago próximo à Antártida, mas a Espanha teve que pagar à França as despesas por essa ocupação (alguns consideram essa passagem como venda, não como doação), bem como expulsar colonos ingleses que ocupavam parte das ilhas desde 1765.</p>
<p>Em 9 de julho de 1816, porém, a partir dos fatos que se sucederam ao famoso 25 de maio de 1810, a Argentina se tornou independente da Espanha, conquistando assim a soberania por todos os territórios controlados pelos espanhóis, inclusive as Malvinas. Na época, entretanto, eram ilhas desabitadas, abandonadas que estavam desde 1811.</p>
<p>A partir do Século XIX a Inglaterra passou a se tornar a principal potência colonizadora do mundo, começando a se interessar vivamente pelo extremo austral americano. Em 1826, a Inglaterra enviou à região uma embarcação do tipo brigue, de menor tamanho, capaz de ser manobrada agilmente, permitindo investigações exploratórias na região. Por causa dessa habilidade exploratória, o brigue foi batizado como Beagle, raça de cães farejadores então muito populares na Inglaterra. O primeiro fato notável do HMS Beagle foi a descoberta, em 1830, de uma segunda passagem ligando o Atlântico e o Pacífico, que permanecera desconhecida por mais de 300 anos depois de Magalhães. Acredita-se, na realidade, que a passagem já era do conhecimento dos ingleses, mas sua existência teria sido mantida oculta. Diz-se que o local seria um dos esconderijos prediletos do corsário Francis Drake. A passagem veio a ser chamada de “Canal de Beagle” e hoje é tida como o limite sul da ilha da Terra do Fogo, tendo às suas margens a cidade de Ushuaia, a cidade mais austral do mundo.</p>
<div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"><a href="http://1.bp.blogspot.com/-teHJfEFlVMs/TlDly7isKXI/AAAAAAAAADA/HqrJFuKSl54/s1600/image2.jpeg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"><img border="0" height="275" src="http://1.bp.blogspot.com/-teHJfEFlVMs/TlDly7isKXI/AAAAAAAAADA/HqrJFuKSl54/s320/image2.jpeg" width="320" /></a></div>
<p>
<div align="center" class="MsoNormal" style="text-align: center;"><span style="font-family: Arial, sans-serif; font-size: 8pt; line-height: 115%;">Figura 2. Mapa da região da Terra do Fogo</span></div>
<div align="center" class="MsoNormal" style="text-align: center;"><span style="font-family: Arial, sans-serif; font-size: 8pt; line-height: 115%;"><br /></span></div>
<p>Outra curiosidade do <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/HMS_Beagle">HMS Beagle</a>, foi sua utilização por <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Charles_Darwin">Charles Darwin</a> na expedição que empreendeu ao redor do mundo de 1831 a 1836. Durante essa expedição, o Beagle passou novamente pelo canal que empresta seu nome. A partir dos achados feitos durante as viagens com o Beagle, Darwin viria a escrever sua obra “A Origem das Espécies”, publicada em 1859 e que mudou a forma do homem compreender a evolução das formas de vida no planeta.</p>
<p>No ano de 1833, os ingleses enviaram às Malvinas uma esquadra para retomar o controle das ilhas praticamente abandonadas. Havia somente um pequeno destacamento naval argentino que não teve como resistir. Passaram a chamá-las de Falklands, nome atribuído pelo britânico John Strong ao canal que separa as duas principais ilhas, quando por ele passou em 1690, em referência ao Visconde de Falkland, um dos patrocinadores de sua expedição.</p>
<p>Em 1869, os ingleses realizaram o primeiro assentamento de brancos na Terra de Fogo, através do Reverendo Anglicano Thomas Bridges, que veio à região do Canal de Beagle com a missão de evangelizar os índios Yamanás que lá viviam. Estima-se que na época, havia quase 3 mil Yamanás na parte sul da ilha (os Selknams, que fizeram as fogueiras que batizaram a ilha, viviam na parte norte). Passavam a maior parte do tempo em canoas, servindo-se dos animais que abundavam na região e vivendo totalmente nus, mesmo sob o frio intenso, graças a sua fabulosa adaptação que incluía recobrir o corpo com gordura de leões marinhos.</p>
<p>Uma das primeiras iniciativas de Bridges foi dar-lhes roupas, pois não queria vê-los com suas vergonhas expostas. Em menos de 50 anos, praticamente toda população de Yamanás foi dizimada por doenças como tuberculose e varíola, transmitidas, entre outras, pelas roupas que lhes deram. Hoje existe apenas uma última índia Yamaná, com cerca de 80 anos de idade. Todos os demais descentes dos originais são mestiços e aculturados. A família de Thomas Bridges, todavia, se multiplicou e muitos de seus descentes ainda continuam na região. Atualmente, os Bridges estão na 6ª. geração e &nbsp;seguem a morando na Estância Harberton, que se tornou uma das atrações turísticas de Ushuaia e de onde partem também barcos para visitar os pinguins que habitam a ilhota Martilla, a 10 minutos de navegação da sede da estância.</p>
<p>No final do Século XIX, o governo Argentino passou a se preocupar com a ocupação da região, assediado que estava de um lado dos chilenos, do outro dos ingleses. Assinou, então, em 1881, um tratado com o Chile para estabelecer os limites da partilha da região. A ilha da Terra do Fogo foi dividida verticalmente pelo meridiano 68, ficando a esquerda para o Chile e a direita para a Argentina. As ilhas localizadas abaixo do Canal de Beagle passaram a ser consideradas como chilenas, exceto aquelas localizadas na extremidade do Atlântico (ilhas Picton, Nueva e Lennox).</p>
<p>Todavia, tais acordos apenas representaram o início das hostilidades que se apossaram da região. À presença dos ingleses nas Malvinas, somou-se a reivindicação do Chile para ter acesso ao Oceano Atlântico através do Canal de Beagle, o que significava, na prática, tomar posse das ilhas Picton, Nueva e Lennox.</p>
<p>Para a Argentina, então, ocupar a região mais do que nunca era uma questão estratégica. Todavia, a distância e o clima hostil não despertava o interesse nos argentinos para que lá fixassem suas vidas. Então resolveu o governo instalar na cidade Ushuaia, fundada em 1884, um presídio, que seria uma forma de forçar essa ocupação. Assim, milhares de presos passaram a ser enviados para a região para, inicialmente, construir o presídio e, depois, para nele habitar. O presídio foi inaugurado em 1902 e permaneceu ativo até 1947. Hoje abriga um museu e é um dos pontos preferenciais de visitação turística da cidade.</p>
<p>A tensão na região, porém, foi crescendo. Em 1978, Chile e Argentina praticamente entraram em guerra. Na época, ambos os países estavam governados por terríveis ditaduras militares. No Chile, <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Pinochet">Pinochet </a>estava no poder desde 1973, quando derrubou o então presidente eleito Salvador Allende. A Argentina, por sua vez, era presidida pelo ditador Jorge Rafael Videla, no poder desde 1976, quando derrubou Maria “Isabelita” Perón, viúva de Juan Domingues Perón e de quem era vice-presidente, eleita em 1973. Felizmente, graças às gestões internacionais, que incluíram o envolvimento do Papa João Paulo II, foi feito um acordo em que a Argentina abriu mão das ilhas, que passaram então a ser território chileno.</p>
<p>Mas, as inquietudes dos militares que dirigiam o governo argentino não cessaram por aí. Em 1982, quando o país se encontrava sob a presidência do General Leopoldo Galtieri, a Argentina mobilizou seus efetivos militares e tomou à força as ilhas Malvinas e as demais ilhas do Atlântico Sul. A reação da Inglaterra, então conduzida à mão de ferro por Margareth Tacher, foi imediata. Após intensos combates, com 649 mortos do lado argentino e 255 do lado inglês, a Inglaterra retomou as ilhas dos argentinos. Relata-se que os descendentes de Thomas Bridges, ainda ocupando a Estância Harberton, foram hostilizados na época e que alguns teriam sido detidos para investigações, sob a suspeita de passar informações aos ingleses por rádio. O Chile de Pinochet, por sua vez, apoiou os ingleses.</p>
<p>Nos bastidores, uma intensa batalha diplomática teria acontecido, especialmente depois que a Argentina afundou o HSM Sheffield inglês, utilizando um míssel Exocet de fabricação francesa. Os ingleses teriam se irritado com o governo francês, pois também tinham adquirido mísseis Exocet e, por isso, teriam pressionado os franceses a lhes passar os códigos secretos dos mísseis vendidos aos argentinos. O governo francês não passou os códigos, mas retirou o apoio de técnicos franceses para os Exocets, o que na prática inviabilizou o disparo de novos mísseis.</p>
<p>A Guerra das Malvinas desgastou o governo militar argentino, levando à renúncia do presidente Galtieri e o retorno da Argentina à normalidade democrática, com a eleição de Raúl Alfonsín como novo presidente em 1983.&nbsp;Alfonsín se preocupou em pacificar a região. Em 1984, realizou um plebiscito para ratificar o acordo feito com o Chile lhe cedendo as ilhas do Canal de Beagle. Mais de 85% da população Argentina votou pela paz, sendo contra qualquer hostilidade para recuperar as ilhas. Mesmo na Terra do Fogo a maioria votou pela paz, ainda que essa porcentagem tenha sido a menor do País.</p>
<p>Mas nas Malvinas, a polêmica ainda continua. De um lado, muitos dos argentinos atuais não concordam com a guerra. Nas ruas de Ushuaia, alguns afirmam: “Nas Malvinas morreram menos de mil do nosso lado, mas o governo militar matou mais de 30 mil argentinos. Então, onde está o inimigo?”. De outro lado, a perda das Malvinas permanece como uma ferida aberta. Em 1991, a Argentina mudou status da região de território para província autônoma, passando a se chamar de “Província da Terra do Fogo, Antártida e Ilhas do Atlântico Sul”, o que assinala suas pretensões territoriais não apenas pelas Malvinas, como também por parte da Antártida.</p>
<p>Ainda hoje, no centro de Ushuaia pode ser visitado o monumento em homenagem aos mortos durante a Guerra das Malvinas, onde se encontra a seguinte inscrição:<br />
<blockquote><i>El pueblo de Ushuaia a quienes con su sangre regaron las raíces de nuestra soberanía sobre Malvinas&#8230; Volveremos!!!</i></p></blockquote>
<div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"></div>
<table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;">
<tbody>
<tr>
<td style="text-align: center;"><a href="http://4.bp.blogspot.com/-AxjmAornhxI/TlGLHUEzQqI/AAAAAAAAAFA/TMGa3Hc2WFg/s1600/DSCN2820.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"><img border="0" height="240" src="http://4.bp.blogspot.com/-AxjmAornhxI/TlGLHUEzQqI/AAAAAAAAAFA/TMGa3Hc2WFg/s320/DSCN2820.JPG" width="320" /></a></td>
</tr>
<tr>
<td class="tr-caption" style="text-align: center;"></td>
</tr>
</tbody>
</table>
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		<title>Quando uma pessoa faz a diferença</title>
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		<pubDate>Thu, 18 Nov 2010 23:55:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mauricio</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O Museu Jeu du Paume, em Paris, é uma pequena galeria localizada nos Jardins da Tulherias, anexa ao Louvre. Foi construído em 1861 para ser a sede da Corte de Tênis (&#8220;jeu du paume&#8221;, em francês), vindo posteriormente a abrigar &#8230; <a href="http://mgar.com.br/blog/?p=13">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O Museu Jeu du Paume, em Paris, é uma pequena galeria localizada nos Jardins da Tulherias, anexa ao Louvre. Foi construído em 1861 para ser a sede da Corte de Tênis (&#8220;jeu du paume&#8221;, em francês), vindo posteriormente a abrigar uma importante coleção de artistas impressionistas, até que em 1986 essa coleção foi transferida para o Museu D&#8217;Orsay. Hoje, o Jeu de Paume exibe arte contemporânea, dos séculos XX e XXI, especialmente obras fotográficas.</p>
<p>Esse texto irá abordar a história da funcionária mais ilustre do Jeu de Paume. Rose Valland nasceu no interior da França, em 1898, num pequeno vilarejo chamado Saint-Étienne-de-Saint-Geoirs, hoje com cerca de 2 mil habitantes. Desde cedo se interessou por artes e foi estudar na Escola de Belas Artes de Lyon e, em seguida, em Paris. Em 1932 foi trabalhar no Museu Jeu de Paume.</p>
<p>Em 1940 a França foi invadida pela Alemanha Nazista e o Museu Jeu de Paume passou a ser sede da ERR (Einsatzstab Reichsleiter Rosenberg), organização criada para recolher materiais nos países ocupados para ser utilizado pelo Reich Alemão. Com isso, o museu se tornou uma espécie de entreposto, para onde eram enviadas obras de arte confiscadas em outros museus da França e de famílias judias.</p>
<p>Rose sempre foi metódica e muito discreta em seu trabalho: falava pouco e trabalhava muito. Por conta disso, ela foi a única funcionária francesa mantida pelos alemães no museu. Todos os dias, cabia a Rose catalogar as peças confiscadas e preparar detalhados inventários para os alemães. De lá, as obras eram enviadas para a Alemanha, por trem. O próprio Hermann Göring esteve no Jeu de Paume em maio de 1941 para selecionar as peças mais preciosas para sua coleção particular.</p>
<p>Os nazistas pouco falavam com Rose, mas entre si conversavam muito sobre o destino das obras. Um detalhe, porém, lhes passou despercebido: Rose falava alemão. Nunca revelou isso, mas todos os dias ouvia atentamente o destino de cada obra. À noite, pacientemente, registrava em um diário cada peça roubada. Ao longo de 4 anos, Rose conseguiu catalogar mais de 20 mil obras de artes levadas da França, com seus respectivos destinos.</p>
<p>Secretamente, Rose passava os registros à Resistência Francesa, que conseguia vez por outra impedir o embarque das peças. Um dos momentos mais espetaculares foi às vésperas da libertação de Paris pelos aliados, quando a Resistência conseguiu impedir o embarque de um trem que tinha sido repleto de obras de arte pelos nazistas que batiam em retirada (esse episódio inspirou o filme &#8220;<a href="http://filmes-segunda-guerra.blogspot.com/2007/01/o-trem-train.html" target="_blank">O Trem</a>&#8220;, de 1964, estrelado por Burt Lancaster, Paul Scofield, Suzanne Flon e Jeanne Moreau).</p>
<p>Com o fim da Guerra, graças aos registros de Rose, a maioria das obras pôde ser recuperada, através dos trabalhos da &#8220;Comissão de Recuperação de Obras de Arte&#8221;, da qual ela foi designada como presidente. Rose escreveu suas memórias em 1962 no livro &#8220;No Fronte da Arte&#8221;. Morreu em 1980, aos 82 anos, tendo recebido inúmeras condecorações e homenagens pelos governos de diversos países.</p>
<p>A história de Rose mostra como foi importante o conhecimento que tinha de arte e do idioma alemão. Mostra que o conhecimento, obtido após anos de estudo, é muito mais importante do que podemos imaginar. Mas, não foi apenas o conhecimento o responsável pelas façanhas de Rose Valland. Foi sua atitude, coragem e determinação, que a fez mobilizar seu conhecimento em torno de uma causa na qual acreditava, ainda que pudesse lhe custar a própria vida.</p>
<p>O exemplo de Rose pode nos inspirar em nosso trabalho junto aos alunos. Não basta lhes passar apenas conhecimentos. Conhecimento sem atitude é como um corpo sem alma. É preciso desenvolver nos alunos questões como responsabilidade, determinação, compromisso e seriedade. Não é nada fácil fazer isso, afinal fomos criados muitas vezes em sistemas educacionais com ênfase nos conteúdos, não nas atitudes. Pode ser difícil, assim, acreditar que o nosso trabalho do dia-a-dia seja capaz mudar esse sistema, ou ao menos colaborar nessa mudança.</p>
<p>Mas, voltamos ao exemplo de Rose Valland, que nos deixa sua maior lição: uma pessoa apenas, mesmo que trabalhando de forma solitária, pode sim fazer toda diferença.</p>
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